Boxeadores terão que fazer teste genético para provar o gênero antes de competições internacionais
Decisão da World Boxing obriga atletas a provarem seu sexo biológico com teste genético; medida já afasta medalhista olímpica e reacende debate sobre identidade de gênero no esporte.
Foto: Imane Khelif/Instagram Uma medida inédita e controversa promete sacudir o mundo do boxe olímpico: todos os atletas que disputarem torneios internacionais da World Boxing terão que passar por testes genéticos para comprovar o próprio gênero. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (31), vale tanto para homens quanto para mulheres.
Segundo a entidade, a exigência visa “garantir a segurança de todos os participantes e proporcionar uma competição com igualdade de condições”. Na prática, qualquer atleta que tiver seu gênero questionado formalmente será automaticamente suspenso até que se submeta ao exame.
A primeira atleta impactada pela nova norma é Imane Khelif, da Argélia. A pugilista, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, poderá ser barrada da Copa do Mundo de Eindhoven, na Holanda, entre os dias 5 e 10 de junho, se não realizar o teste. Ela também ficará impedida de competir em qualquer outro torneio da World Boxing enquanto a exigência não for cumprida.
A decisão ocorre após suspeitas de que Imane seria uma mulher transgênero, fato nunca confirmado oficialmente. A World Boxing justificou que a medida tem como objetivo proteger o bem-estar físico e mental dos atletas, frente à repercussão do caso.
O teste exigido é um exame genético PCR, realizado a partir de swab nasal, saliva ou amostra de sangue. O objetivo é detectar a presença do gene SRY, que indica a existência do cromossomo Y, determinante para o sexo biológico masculino.
A nova regra vale para todos os boxeadores com mais de 18 anos inscritos em competições da entidade. A exigência vem gerando críticas e debates acalorados sobre privacidade, direitos humanos e inclusão no esporte.




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