Denúncia da OAB contra trailers gera revolta na Câmara e atinge famílias que vivem do comércio em Guaçuí
Vereador Nelsinho reage à denúncia da OAB e diz que trabalhadores estão pagando a conta da falta de diálogo em Guaçuí
Foto: Reprodução Uma denúncia protocolada pela 6ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Guaçuí, em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do município, junto ao Ministério Público do Espírito Santo, provocou forte reação na Câmara Municipal de Guaçuí e reacendeu o debate sobre a ocupação de espaços públicos por trailers e quiosques na cidade.
Durante pronunciamento em plenário, o vereador Nelsinho Salvador, líder do governo, criticou duramente a forma como a denúncia foi conduzida e alertou para o impacto social da medida, que atinge diretamente dezenas de famílias que dependem do comércio informal para sobreviver.
Segundo o parlamentar, o problema não está na necessidade de regulamentação — que ele afirma apoiar —, mas na ausência total de diálogo com os comerciantes, com o Poder Executivo e com o próprio Legislativo antes da formalização da denúncia.
“Sou a favor da lei, da organização e da modernização da cidade. O que causa indignação é pular o diálogo e partir direto para uma denúncia que espalha medo e insegurança. O caminho correto é construir soluções coletivas”, afirmou.
Denúncia levanta suspeita de motivação política
Nelsinho também questionou o momento em que a denúncia foi apresentada. De acordo com ele, as situações apontadas são antigas, atravessaram várias gestões municipais e, mesmo assim, nunca houve, por parte das instituições envolvidas, a apresentação de um projeto concreto de regulamentação ao longo dos anos.
O vereador destacou ainda que o atual presidente da OAB de Guaçuí integrou a base política de administrações anteriores, período em que, segundo ele, não houve qualquer manifestação pública ou iniciativa institucional para tratar do tema.
“Quando um problema existe há décadas e só agora vira denúncia, sem diálogo, isso perde o caráter técnico e assume um contorno claramente político”, declarou.
Comerciantes fazem parte da história da cidade
Entre os casos citados está o trailer localizado na Praça da Avenida José Alexandre, em frente à Delegacia da Polícia Civil, pertencente ao comerciante Paulo Angu, que atua no local há mais de 30 anos.
Segundo o vereador, Paulo construiu toda a sua trajetória profissional naquele espaço, sustentando a família e garantindo a formação dos filhos nas áreas da educação e da saúde, fruto de trabalho honesto e contínuo.
“Não estamos falando de invasores, mas de trabalhadores que ajudaram a construir a história social e econômica de Guaçuí. Esse legado não pode ser apagado”, ressaltou.
Nelsinho esclareceu ainda que a necessidade de reforma do trailer citado decorre de danos estruturais causados por uma obra realizada nas proximidades, tratando-se de uma questão de segurança, e não de irregularidade recente.
Defesa da regularização com responsabilidade social
Ao final, o vereador reafirmou seu apoio à regulamentação dos espaços públicos, desde que o processo seja conduzido com diálogo, planejamento e responsabilidade social.
“Regularizar é organizar, não expulsar. Modernizar a cidade não pode significar criminalizar quem trabalha honestamente. Guaçuí precisa avançar, mas sem abandonar as pessoas”, concluiu.
O parlamentar defendeu que o debate avance de forma técnica e participativa, garantindo segurança jurídica, preservação do patrimônio público e respeito às famílias que dependem do comércio local.



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