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São Domingos do Norte,07/02/2026

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    Fraude em concursos: perito e marido são presos ao sair de prova da Polícia Civil do ES

    Casal foi detido na Serra logo após a prova da Polícia Civil do Espírito Santo e, dias depois, passou a ser alvo de mandados por integrar uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos em vários estados do país.


    Fraude em concursos: perito e marido são presos ao sair de prova da Polícia Civil do ES Polícia Civil do Espírito Santo — Foto: Ricardo Medeiros/Rede Gazeta

    Serra (ES) — Um perito criminal e o marido dele foram presos ao saírem da prova do concurso da Polícia Civil do Espírito Santo no final da tarde de domingo (1º), no município da Serra. O casal é suspeito de integrar uma organização criminosa com atuação nacional, especializada em fraudes em concursos públicos.

    Os dois candidatos, um perito criminal de Pernambuco, de 40 anos, e o marido dele, de 28, foram detidos por policiais civis capixabas logo após a realização do exame para o cargo de Oficial Investigador da Polícia Civil do Espírito Santo. A prova objetiva ocorreu no período da tarde.

    De acordo com documentos oficiais, equipes da Polícia Civil do Espírito Santo realizavam monitoramento preventivo nas imediações dos locais de prova, incluindo a apuração de denúncias anônimas sobre possíveis tentativas de fraude que poderiam comprometer a lisura do certame. Durante as diligências, os investigadores chegaram aos nomes dos dois candidatos, que haviam se deslocado de Pernambuco para participar do concurso.

    O primeiro a ser abordado foi o candidato de 28 anos, no momento em que deixava o local de prova e se dirigia a um veículo. No carro, os policiais encontraram uma arma de fogo na porta do carona. O suspeito afirmou que a pistola calibre .40 pertencia ao marido, perito da Polícia Civil de Pernambuco. Ainda no interior do veículo, foram localizados documentos em nome de outras pessoas.

    O perito foi localizado em outro local de prova, também na Serra, e confirmou ser o proprietário da arma, apresentando a documentação. Em depoimento na delegacia, ele relatou que, por questões logísticas, o marido o deixou primeiro no local da prova e depois seguiu para outra escola, razão pela qual a arma teria permanecido no carro. Apesar da explicação, ambos foram autuados por porte ilegal de arma de fogo. Na audiência de custódia, a juíza de plantão converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.


    Mandados por organização criminosa

    Dois dias depois, na terça-feira (3), a Polícia Civil do Ceará deflagrou uma operação para desarticular uma quadrilha com atuação em diversos estados, especializada na fraude de concursos públicos. No âmbito da ação, foram cumpridos, dentro de uma unidade prisional do Espírito Santo, dois mandados de prisão pelo crime de integrar organização criminosa contra o perito e o marido dele, conforme registros do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

    Segundo a Polícia Civil do Ceará, foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão e medidas cautelares no próprio Ceará, além de Pernambuco e Espírito Santo. As investigações apontam que o grupo utilizava meios tecnológicos ilícitos para o repasse de respostas durante as provas, com o objetivo de obter aprovações fraudulentas.

    Durante as diligências, também foram apreendidos aparelhos celulares, dispositivos eletrônicos, arma de fogo, documentos e outros materiais de interesse investigativo, que devem subsidiar o aprofundamento das apurações.

    A reportagem procurou a Polícia Civil do Espírito Santo para saber quais providências serão adotadas em relação ao concurso, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O Governo de Pernambuco também foi acionado para se manifestar sobre a prisão do servidor público vinculado à Polícia Civil do estado, porém não houve retorno. O texto será atualizado em caso de posicionamento oficial.


    Defesa

    Procurado pela reportagem, o advogado de defesa dos dois detidos, Thiago Thadeu Bastos Tavares, informou que ainda não teve acesso ao processo que tramita na Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Fortaleza (CE).

    “A impossibilidade de acesso se deve à informação de que os autos encontram-se sob sigilo externo, o que impede a plena ciência das acusações e a elaboração de uma defesa técnica adequada, em flagrante violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, garantidos constitucionalmente”, afirmou, por meio de nota.

    Em relação à prisão em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, o advogado sustenta que a autuação é ilegal, uma vez que o perito possui porte funcional em razão do cargo que ocupa. Segundo ele, a arma estaria devidamente registrada e seria de uso pessoal, inerente à função de agente de segurança pública, o que, na avaliação da defesa, afasta a configuração do crime.


    Concurso no Ceará e eliminações

    A operação deflagrada pela Polícia Civil do Ceará é resultado de uma investigação iniciada em 2025, após suspeitas de fraude no concurso da Polícia Civil cearense. O caso levou a Universidade Estadual do Ceará, banca organizadora do certame, a eliminar 15 candidatos que haviam sido aprovados na primeira etapa da seleção.

    Na decisão, a comissão organizadora informou que a medida foi tomada após comunicação oficial da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) sobre a existência de atos ilícitos durante a aplicação das provas. Os candidatos eliminados estavam entre os 30 mais bem colocados na fase objetiva, incluindo o marido do perito preso no Espírito Santo.

    As investigações seguem em andamento e novas informações podem surgir nos próximos dias.

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